Europa espera que meta do Brasil de corte de CO2 seja realista


A ideia de reduzir o crescimento das emissões brasileiras de gases do efeito estufa em 40% até 2020 seria recebida como uma meta "ambiciosa" pela União Europeia (UE), segundo o negociador chefe do bloco na Convenção do Clima, Artur Runge-Metzger. Com uma condição: de que a projeção de crescimento no cenário "business as usual" (que prevê o que aconteceria se nada fosse feito para conter as emissões) seja realista.

"Se essa projeção for exagerada, as reduções ficam superestimadas", disse Runge-Metzger, em Barcelona, onde os países signatários da convenção estão reunidos para a última rodada de negociações antes da cúpula climática de Copenhague, no mês que vem.

Esse é justamente um dos pontos cruciais de divergência dentro do governo brasileiro, que ainda não conseguiu chegar a um consenso sobre a proposta que levará a Copenhague. Os cálculos iniciais do Ministério do Meio Ambiente consideravam uma taxa de crescimento da economia de 4% ao ano - o que já é uma projeção otimista, segundo o ministro Carlos Minc. Mas a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, achou pouco e pediu que as contas fossem feitas também com cenários de 5% e 6% de crescimento.

Minc defende a ideia dos 40% de desvio da curva de crescimento das emissões, apoiada por uma redução de 80% no desmatamento da Amazônia. Mas não há consenso sobre isso.

A expectativa era de que a proposta fosse definida terça-feira, em reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que não aconteceu. Uma nova reunião foi marcada para o dia 14.

O chefe da diplomacia brasileira em Barcelona, Luiz Alberto Figueiredo Machado, disse que não está certo ainda como a proposta nacional (uma vez definida) será apresentada à Convenção - se na forma de toneladas de carbono, de um porcentual total de redução ou de um conjunto de ações, não necessariamente atrelado a números. Disse, porém, que a iniciativa brasileira de apresentar um plano doméstico de redução de emissões "deixa claro que o País não fará parte de um fracasso em Copenhague" - caso isso venha a acontecer.

"O fato de o Brasil apresentar um conjunto de ações antes de Copenhague reforça nossa capacidade de cobrar ações também de outros países", afirmou. Ele garantiu que as reduções do País serão "significativas".

O negociador chefe da delegação sueca, Anders Turesson, disse que a postura dos países em desenvolvimento - especialmente do Brasil, da China e da Índia - será "importantíssima" para o futuro climático do planeta. "Os países em desenvolvimento respondem por uma porção enorme das emissões atuais e, no futuro, vão dominar esse cenário", disse. "Suas decisões sobre desenvolvimento vão definir o destino do planeta."

Pelas regras atuais do Protocolo de Kyoto, cujo primeiro período de compromisso termina em 2012, os países em desenvolvimento não têm obrigação de reduzir suas emissões, porque se admite que eles precisarão emitir mais carbono para se desenvolver. Uma das condições impostas pela União Europeia para elevar sua meta doméstica de redução para o segundo período do protocolo, porém, é que os emergentes como Brasil, China e Índia assumam compromissos mais substanciais no controle de suas emissões.

A mesma exigência é feita pelos Estados Unidos e outros países desenvolvidos.

Abaixo do mínimo - Faltando pouco mais de um mês para a conferência de Copenhague (conhecida como COP 15), as propostas de redução apresentadas pelos países desenvolvidos, até agora, ainda estão longe de satisfazer as exigências da ciência e dos países mais pobres, que tendem a sofrer mais com o aquecimento do planeta.

O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), órgão científico internacional que assessora as Nações Unidas no assunto, diz que é preciso uma redução de 25% a 40% das emissões dos países desenvolvidos até 2020 para manter a elevação da temperatura do planeta abaixo de 2 graus Celsius.

Nas negociações em Barcelona, o Grupo dos Países Africanos exige que os ricos se comprometam com uma redução de "no mínimo" 40%. "Qualquer coisa menos do que isso significará nossa destruição", disse o representante do Sudão, Lumumba Di-Aping. Por enquanto, a soma das propostas apresentadas pelos desenvolvidos leva a uma redução de 16% a 23% até 2020, dependendo de uma série de condicionantes. Alguns dizem que elas não chegam nem a 20%.

A União Europeia já aprovou uma lei se comprometendo com uma redução de 20% das emissões do bloco até 2020. E está disposta a aumentar essa meta para 30%, mas só se outras nações desenvolvidas (incluindo os EUA) se comprometerem com "ações comparáveis" no mesmo período. "Precisamos saber o que os outros países vão fazer também antes de fecharmos nosso número", disse Turesson.

A esperança do Brasil, segundo Machado, é que Copenhague resulte em "um acordo robusto, que respeite as recomendações da ciência", com uma redução agregada de 25% a 40% das emissões dos países desenvolvidos, complementada por ações significativas de redução por parte dos países em desenvolvimento. (Fonte: Herton Escobar/ Estadão Online)

Brasil não vai impor suas condições em Copenhague, diz Lula

O Brasil chegará à reunião das Nações Unidas para a discussão do combate às mudanças climáticas, no mês que vem em Copenhague, com uma proposta única do governo para ações, mas "sem querer impor condições" aos outros países, segundo afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (4), durante visita a Londres.

"O Brasil não vai a Copenhague para impor suas condições. O Brasil vai apresentar suas metas com a disposição de construir um consenso com os outros países", afirmou Lula.

Segundo ele, o Brasil já apresentou propostas individuais de combate ao aquecimento, como a meta de reduzir o desmatamento em 80% até 2020, mas ainda deve estudar outras possíveis propostas.

O presidente afirmou que o governo brasileiro deve finalizar na semana que vem, entre os dias 13 e 14, uma posição única "para que não haja dois ministros falando coisas diferentes" durante a reunião.

Presença - Lula se disse disposto a comparecer à Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15), na capital dinamarquesa, desde que outros líderes das grandes nações do mundo também se comprometam a participar da reunião para fechar um acordo de combate ao aquecimento global.

Após um encontro com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, no qual a questão das mudanças climáticas foi discutida, Lula disse ter recebido a garantia de que o premiê estará em Copenhague.

Ele disse esperar que outros líderes mundiais importantes, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ou o presidente da China, Hu Jintao, também estejam presentes na Dinamarca para o fechamento de um acordo internacional.

"Precisamos sobretudo convencer os Estados Unidos, que tentam convencer a China", disse Lula.

Para o presidente, "o pior que poderia acontecer é que a sociedade tivesse a impressão de que os seus líderes não estão assumindo o compromisso com o clima".

Investimentos - Lula está em Londres para uma visita de dois dias com o principal objetivo de atrair mais investimentos estrangeiros ao Brasil.

Na manhã desta quinta-feira, o presidente participa do seminário "Investindo no Brasil", organizado pelos jornais Financial Times, da Grã-Bretanha, e Valor Econômico, do Brasil.

Ao lado do presidente estarão também os ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, além dos presidentes do Banco Central e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Nesta quarta-feira à tarde, a comitiva do governo brasileiro em Londres participou da inauguração de um escritório do BNDES na capital britânica.

O objetivo do escritório é ajudar a financiar a expansão no exterior de empresas brasileiras e também investimentos no Brasil por empresas estrangeiras.

Para o presidente, a abertura do primeiro escritório do BNDES no exterior é "a primeira demonstração de que queremos cuidar de nossas empresas no exterior, mas também de que queremos convencer as empresas do exterior a investir no Brasil, ajudando a captar os recursos necessários para os investimentos".

Durante discurso na inauguração, Lula afirmou que "o Brasil cansou de ser pequeno e de pensar pequeno".

"Não tem jeito de o Brasil se tornar uma grande nação se o governo, as empresas e o povo pensarem pequeno", afirmou o presidente.

Para Lula, a candidatura bem sucedida do Rio de Janeiro para sediar a Olimpíada de 2016 é um exemplo de como o país deve pensar grande em seus projetos. (Fonte: Estadão Online)

Kilimanjaro sem neve

Ernest Hemingway, Ava Gardner e Gregory Peck perderam a vez para as mudanças climáticas globais. Se fosse hoje, As neves do Kilimanjaro, conto escrito em 1936 pelo autor norte-americano que virou um dos maiores sucessos de bilheteria nos cinemas em 1952, teria, no mínimo, que mudar o título.

O motivo é que as famosas neves no maior monte da África, com 5,8 mil metros, que sempre pareceram eternas, estão desaparecendo. Segundo um estudo que será publicado esta semana no site e em breve na edição impressa da Proceedings of the National Academy of Sciences, o gelo no topo poderá desaparecer completamente nas próximas duas décadas.

Lonnie Thompson, da Universidade do Estado de Ohio, nos Estados Unidos, e colegas apontam que as temperaturas mais elevadas, em conjunto com as condições mais secas e com menos nuvens, estão contribuindo para a sublimação e o derretimento do gelo no alto da montanha na Tanzânia.

Os pesquisadores combinaram medidas da área congelada obtidas a partir de fotografias aéreas com dados sobre alterações na espessura do manto para determinar em que velocidade o gelo está sumindo.

Segundo eles, a área total coberta pelo gelo encolheu cerca de 85% entre 1912 e 2007. Se as condições climáticas atuais persistirem, o gelo poderá desaparecer em 2022 ou, no melhor dos cenários, em 2033.

Os autores do estudo destacam que embora as neves do Kilimanjaro tenham sobrevivido por 11.700 anos, incluindo secas históricas e alterações climáticas, sem ações de mitigação eficazes as condições atuais poderão não apenas eliminar o gelo na montanha, mas também promover um significativo impacto na vida das comunidades locais na África.

O artigo Glacier loss on Kilimanjaro continues unabated, de Lonnie Thompson e outros, poderá ser lido em breve por assinantes da Pnas em www.pnas.org. (Fonte: Agência Fapesp)

Reunião do governo sobre clima acaba sem anúncio de corte de CO2

Uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com ministros para discutir a proposta que o Brasil levará à reunião da ONU sobre clima, em Copenhague, terminou nesta terça-feira (3) sem anúncio de metas de corte nas emissões de gases estufa, um ponto considerado crucial para que se chegue a um acordo entre os países.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou após o encontro que o governo vai anunciar em 14 de novembro as medidas que serão levadas à cúpula da ONU, mas adiantou que não deve haver o anúncio de um número determinado para a meta de redução das emissões brasileiras.

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, defende uma redução de 40 por cento nas emissões previstas para 2020.

"Serão linhas gerais. Não vamos apresentar os números, vamos apresentar as medidas. Até porque estamos fazendo de forma voluntária, porque achamos que é importante que o Brasil preserve suas características de país sustentável", disse Dilma a jornalistas após a reunião.

Dilma afirmou que o Brasil vai se concentrar nas áreas de agropecuária, energia, siderurgia e na redução de desmatamento em outros biomas, além da Amazônia.

"São essas quatro áreas que vão integrar esse grande esforço do Brasil, que sobretudo vai se constituir em objetivos bem claros que nós vamos explicar e comunicar numa reunião do dia 14 de novembro", disse.

Para o Greenpeace, com a demora em anunciar a resposta brasileira ao desafio climático a ser apresentada em Copenhague o Brasil perde a chance de ocupar uma posição de liderança.

"O país, a menos de dois meses da reunião na Dinamarca, dá um sinal de falta de transparência diplomática, impedindo que os brasileiros e o resto do mundo tomem conhecimento de sua posição, e perde uma oportunidade importante de voltar a ser uma peça-chave nas negociações internacionais", disse o grupo em comunicado.

O país tem uma meta para reduzir desmatamento da Amazônia em 80 por cento, o que representa um corte de emissões do Brasil de 20 por cento em relação à trajetória prevista para 2020.

O desmatamento corresponde a aproximadamente 75 por cento das emissões de dióxido de carbono do país, mas representa somente 52 por cento do total das emissões de gases do efeito estufa, que incluem o metano e o óxido nitroso, mais perigosos.

A expectativa é que a taxa de desmate da Amazônia nos 12 meses até julho deva cair para 9.500 quilômetros quadrados, seu nível mais baixo em 20 anos.

Mais de 190 países se reunirão na capital da Dinamarca entre os dias 7 e 18 de dezembro para negociar um novo acordo, que substituirá o Protocolo de Kyoto, para combater a mudança climática.

Entre as principais divergências estão os objetivos de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e como levantar bilhões de dólares para ajudar os países pobres a lidar com o impacto do aquecimento global. (Fonte: Estadão Online).

Minc diz que proposta brasileira será a mais avançada entre os países em desenvolvimento

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse que a proposta brasileira para a Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro, só vai ser divulgada no dia 14 de novembro. Segundo o ministro, o adiamento da apresentação da proposta, que estava prevista para esta terça-feira (3), ocorreu na tentativa de aprimorá-la. “Não houve recuo, a proposta vai ser forte e a meta vai ser a mais avançada entre todos os países em desenvolvimento”, disse o ministro.

Minc falou sobre o adiamento do anúncio da posição brasileira, durante a abertura da 1ª Mostra Nacional Ambiental: Caminhos da Sustentabilidade. O evento comemora os 20 anos de existência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

A exposição que ocorre até sábado em Brasília, na sede do Ibama, tem, logo na entrada, uma tora de castanheira, com cerca de 15 toneladas que foi derrubada ilegalmente em Novo Mundo, Mato Grosso e apreendida pelo Ibama. O técnico do Serviço Florestal Brasileiro, Gerson Sternadt, que mediu a madeira, informou que a castanheira tinha cerca de 40 metros de altura e mais de 250 anos.

“O Brasil não seria o mesmo sem o Ibama”, afirmou o ministro, comentando a importância da associação com o instituto, quando se trata de crimes ambientais. (Fonte: Radiobrás)

ONU elogia ação da China sobre clima

País que mais emite gases-estufa, a China ganhou na segunda-feira (2) rasgado elogio do homem da ONU para assuntos climáticos.

"A China é hoje líder mundial na limitação às emissões dos gases-estufa", afirmou o holandês Yvo de Boer na abertura da última reunião preparatória para a conferência do clima de Copenhague.

O representante americano no encontro de Barcelona não discordou, mas emendou uma canelada nos anfitriões. "A visão de que os EUA não estão se esforçando não é correta. Estamos fazendo mais do que a União Europeia", disse Jonathan Pershing.

Os europeus jogaram no mesmo campo, embora com mais sutileza. "Outros países desenvolvidos deveriam demonstrar sua liderança", declarou o sueco Andreas Carlgren, ministro do Ambiente.

Os EUA não se comprometeram até agora com nenhum número nos dois assuntos que mais importam na discussão diplomática: quanto vão cortar nas emissões de gases até 2020 (prazo final utilizado nas negociações atuais) e quanto dinheiro colocarão para financiar ações contra o aquecimento global.

Tanto o chefe da ONU quanto o representante americano fizeram questão de dizer que veem grandes diferenças entre a situação dos EUA agora e a que o país tinha em 1997, quando foi assinado o Protocolo de Kyoto, primeiro tratado global do clima.

Na época de Kyoto, a Casa Branca, então comandada por Bill Clinton, não tinha o apoio necessário no Congresso. "Havia uma grande desconexão entre a delegação dos EUA e o sentimento no Senado", afirmou De Boer.

A pressão sobre os EUA surgiu também em evento de ONGs brasileiras em Barcelona. "Não se vai resolver o problema se o cara não aparecer [em Copenhague]. E o cara não é o Lula. É o Obama. Ele pode fazer a diferença, e não está fazendo", disse Paulo Adário, do Greenpeace. (Fonte: Roberto Dias/ Folha Online)

Países africanos boicotam reunião sobre efeito estufa

Nações africanas boicotaram reuniões nas conversações desta terça-feira (3) sobre a mudança climática patrocinadas pelas nações Unidas em Barcelona. Os africanos dizem que os países industrializados estão assumindo metas muito baixas de corte dos gases causadores do efeito estufa.

A ação forçou o cancelamento de diversas reuniões técnicas durante a semana de discussões. Delegados advertiram que, a menos que o protesto africano seja resolvido, haverá atrasos no cronograma para o novo acordo das Nações Unidas sobre a mudança climática, que deve ser firmado na Dinamarca no início de dezembro.

Cerca de 50 nações africanas afirmam que só discutirão promessas feitas por países ricos, e que as conversações sobre outros temas, incluindo compensações por emissão de carbono e a colaboração dos países pobres, só deve avançar depois de um compromisso definido das nações industrializadas.

"Não acho que conseguiremos resultados do jeito que estamos indo agora", disse o negociador argelino Kamel Djemouai, que preside o grupo africano. "Não podemos prejulgar o que acontecerá depois antes de vermos a reação dos demais".

Esta é a primeira vez em que os africanos adotam uma ação coordenada nas conversações das Nações Unidas sobre clima, mas eles vêm ajustando sua posição ao longo do último ano, para garantir uma posição de unidade na escalada para a reunião de Copenhague, disse Antonio Hill, da Oxfam Internacional.

O boicote africano inviabilizou apenas parte das negociações em curso, que operam em duas fases paralelas. As conversações sobre a forma geral de um acordo para o financiamento dos países pobres continuaram sem interrupção.

Um grupo maior, de 130 nações em desenvolvimento, apoiou a ação da ala africana, com o objetivo de "focar o pensamento" dos países desenvolvidos na questão mais importante, disse o representante sudanês Lumumba De-Aping. Ele lembrou que boicotes são uma tática comum de negociação, e não representam, necessariamente, o fracasso do debate. (Fonte: Estadão Online)